quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ignorância e amor, felicidade com verdade

     Se lembra quando começou a usar o computador e escolheu a fonte “Arial”? De alguma forma aquela letra te cativava mais que as outras... Você podia até  sentir até uma certa e oculta imposição nessa parte... Correto? Se lembra quando começou a comer e de alguma forma (bruta, tranqüila ou disfarçada) seus pais te alimentaram de uma forma que você não seja gordo? Se lembra de quando você saiu dos livros infantis e foi para a velha e atual literatura expansiva? E quando finalmente entrou para o maternal como todas as crianças da sua rua ou do seu condomínio e aprendeu o que é universo e logo depois que nele há um só Sistema Solar? Voltando na pergunta em relação à literatura... Você como todos os leigos e “não leigos” considera a literatura como uma grande fuga disso que chama de realidade, uma forma de se esquivar socialmente e expandir seu subconsciente de uma forma concreta ou para fazer a tal diferença provando a si mesmo?
     E como alguém poderia comprovar sua diferença? Vendo novela nas 8? Lendo romances? Acreditando no sensacionalismo de qualquer canal fechado? Torcendo por um dos “sortudos” de qualquer Reality Show que seja? Sento assaltado? Matando? Roubando? Obtendo o sonho de ser um astro do rock? Fazer teatro pensando em notas de 0 a 10 impostos pelo amor da sua vida chamado mídia? Dormindo? Sonhando sem agir? Namorando? Fazendo planos falsos para você seguir? Prometendo sonhos falsos para outra pessoa que você acha que a eternidade dura ao lado dela? Quem é você? O que você fez? E... o que você faz? Já que você é tudo isso e muito mais, obviamente deve ter percebido que o “amor” move o mundo e deve ter concordado imediatamente! Claro, pois você é uma pessoa culta e, portanto não perde tempo com aquele sensacionalismo de televisão e etc. Afinal de contas você não é alienado, mas crê sim no amor, porque o amor é a única forma de fazer do mundo um mundo melhor, pois ele é incontrolável, se cria naturalmente no coração humano e não há imposição que possa controlá-lo. Você com certeza tem a capacidade de confiar plenamente e arriscar seu tempo e paciência por uma “coisa” que a menos não pode se quer tocar, saber o verdadeiro sentido e principalmente esconder.                                                                     
     De onde veio esse seu amor que tanto divulga? Como você conseguiu obter a habilidade de amar com tanta certeza outro ser como você que não seja do seu mesmo sangue? Aonde você aprendeu a amar alguém fora de casa? Um homem que se apaixona por uma mulher (ou vice versa) pode com evidência sentir os lábios se secando juntamente com a parte externa da boca, as mãos trêmulas, um susto inigualável aos outros, a pupila dilatando, uma atenção totalmente focada e por último seu cérebro mandando uma reação química ao coração e o sentindo disparar com uma força e rapidez fora do comum... Pronto, depois de sentir o coração assim você tem certeza que está amando! Não é verdade? [...] Desta vez em outra situação: Você está caminhando sozinho pela rua para ir cumprir algumas de suas obrigações quando der repente surge um assaltante perigosíssimo e armado, imediatamente pode com evidência sentir os lábios se secando juntamente com a parte externa da boca, as mãos trêmulas, um susto inigualável aos outros, a pupila dilatando, uma atenção focada e por último seu cérebro mandando uma reação química ao seu coração e você o sente disparar com uma força e rapidez fora do comum. Você está apaixonado pelo assaltante? Então por que sentiu a mesma coisa? Como você agora pode diferenciar o que amor e o que não é? Deixe-me adivinhar: Você aprendeu assim!?!?! Hmmm...
     Talvez (nesse exato momento) deva ter raciocinado e percebido que sua inteligente atitude de não ligar a televisão e até aquela sua confiável literatura com sua personalidade esperta e não alienada acabou te alienando ao decorrer do tempo e te influenciado a ser traído por si mesmo, traído pelo seu próprio lindo amor... Como em todas as histórias de costume.
     Parabéns a você amante que obtém a certeza que sempre está ganhando! Você também é subconscientemente sozinho.

sábado, 9 de abril de 2011

A morte

      "A morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo!
      Você combinou de jantar com a namorada,  está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia: MORRER!!!
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física,
quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora
de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...  De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway,  numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é?
      Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém,  sem ter dançado com a garota mais linda,  sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas.
      Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
      Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã.  Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz.
      Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça. Por isso viva tudo que há para viver.  Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida... Perdoe... Sempre!
Adiar...Adiar...Adiar...será sempre o melhor dos caminhos?"

Pedro Bial